quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Lição 13: A assembleia de Jerusalém | 3° Trimestre de 2025-Prof. André Bernardo

 TEMA:  A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições


Objetivos da Lição:
I) Mostrar o contexto e os motivos que levaram à controvérsia sobre a salvação dos gentios;
II) Relatar os argumentos apresentados pelos apóstolos, especialmente por Pedro e Tiago, sobre a inclusão dos gentios na Igreja;
III) Reconhecer a importância da direção do Espírito Santo na resolução dos conflitos e na preservação da unidade da Igreja.


TEXTO ÁUREO

“Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias.” (At 15.28).


VERDADE PRÁTICA

Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 15.22-32.

INTRODUÇÃO

Com esta lição, terminamos mais um trimestre de estudos sobre a igreja de Jerusalém. Aqui veremos como a igreja agiu para resolver seus conflitos de natureza doutrinária. Um grupo composto por fariseus convertidos à fé insistia que os gentios convertidos deveriam guardar a Lei, especialmente o rito da circuncisão. No entendimento dos apóstolos, se isso fosse exigido, a salvação deixaria de ser totalmente pela graça, o que era inaceitável. Devido à dimensão da questão e à sua importância para o futuro da Igreja, os líderes se reuniram em Jerusalém para buscar uma solução para o problema. Lucas deixa claro que a decisão tomada pela Igreja naquele momento foi guiada pelo Espírito Santo. É isso que veremos agora.


I- A QUESTÃO DOUTRINÁRIA

1- O relatório missionário. 


A Questão da Salvação: Pela Graça ou pela Lei.

A origem do debate no Concílio de Jerusalém, registrado em Atos 15, foi a natureza da salvação. A discussão não começou em Jerusalém, mas na igreja de Antioquia, após o retorno de Paulo e Barnabé de sua primeira viagem missionária.


O Contexto em Antioquia

Quando Paulo e Barnabé retornaram, relataram o sucesso de sua missão entre os gentios, eles enfatizaram que a aceitação da fé por esses povos ocorreu unicamente pela graça de Deus. 


O Conflito Teológico

Essa visão colidiu com a de alguns crentes de origem judaica, que insistiam que para os gentios serem salvos, eles precisavam ser circuncidados e seguir a Lei de Moisés. Eles argumentam que a salvação exigia a fé em Cristo mais a obediência à Lei.


2- O legalismo judaizante. 

O trecho do livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 15, verso 1 e 2, descreve um dos momentos mais cruciais da história da igreja primitiva: o conflito entre a fé em Jesus e as tradições da Lei judaica.

A Origem do Problema.

  • Era um grupo de judaizantes, ou seja, judeus que haviam se convertido ao cristianismo, mas que acreditavam que os gentios (não-judeus) precisavam seguir as leis e rituais judaicos para serem salvos. Eles insistiam que a circuncisão era um requisito essencial.


Como a igreja de Jesus Cristo, que estava se expandindo para além das fronteiras judaicas, deveria lidar com a diversidade de culturas e crenças?

A solução veio de forma sábia e organizada. 

  • Em vez de permitir que o conflito se aprofundasse, a igreja em Antioquia decidiu levar a questão para a liderança em Jerusalém, 

  • Na igreja mãe, os apóstolos e presbíteros, homens de autoridade e sabedoria, se reuniram para discutir e decidir a questão. 

  • Este evento, conhecido como o Concílio de Jerusalém, foi fundamental para definir o futuro da igreja e garantir que a salvação fosse compreendida como um dom gratuito de Deus, acessível a todos pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo! (Sem necessidade da circuncisão e a observância da Lei)


II- O DEBATE DOUTRINÁRIO

1- Uma questão crucial. 

A Questão Gentílica em Atos 15.

No livro de Atos, a igreja primitiva enfrenta um desafio teológico crucial: 

  • A inclusão dos gentios (não-judeus) na comunidade de fé. 

Tema do debate.

  • Um grupo de judaizantes defende que os gentios convertidos precisam ser circuncidados e observar a Lei de Moisés para serem salvos. 

  • Para eles, a salvação estava ligada à prática da Lei, e não apenas à fé em Jesus.

Resposta de Pedro e a Experiência em Cesareia

  • Pedro, no entanto, discorda dessa posição, argumenta que a salvação é pela graça, e não pelas obras da Lei. 

  • Para sustentar seu ponto, ele usa como prova a sua experiência em Cesareia, relatada em Atos 10, onde o Espírito Santo foi derramado sobre a casa de Cornélio, um gentio, da mesma forma que havia sido derramado sobre os judeus no dia de Pentecostes.

  • Pedro afirma: "Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós." (Atos 15:8). 

Essa experiência pentecostal dos gentios foi a evidência incontestável de que Deus os havia aceitado e os havia salvado sem a necessidade da “circuncisão ou da observância da Lei mosaica”.

2- A experiência do Pentecostes na fé dos gentios. 

O derramamento do Espírito Santo sobre os gentios não foi apenas um evento espiritual, mas sim uma manifestação física e observável. 

  • Isso foi comprovado anos antes, na casa de Cornélio, em Cesareia (Atos 10). 

  • Assim como em Pentecostes (Atos 2), os gentios falaram em línguas, o que serviu como evidência clara da sua salvação.

  • Paulo também usou um argumento semelhante ao debater com os cristãos da Galácia (Gálatas 3.5).

Em resumo, tanto Pedro quanto Paulo destacam que a vinda do Espírito Santo foi a prova definitiva e visível da salvação de judeus e gentios, derrubando barreiras e unificando a igreja primitiva.

3- A fundamentação profética da fé gentílica. 

A inclusão dos gentios (não-judeus) na igreja, destaca duas abordagens diferentes, mas complementares, usadas por líderes da época para justificar essa aceitação.

A passagem fala do apóstolo Pedro e Tiago, o irmão de Jesus.

  • Primeira abordagem (Pedro): Ele baseia sua defesa na experiência do Pentecostes. Para Pedro, o fato de o Espírito Santo ter sido derramado sobre os gentios, da mesma forma que foi sobre os judeus, era um sinal claro de que Deus os havia aceitado. 

  • Segunda abordagem (Tiago): Ele recorre à profecia bíblica. Ao citar as Escrituras, Tiago demonstra que a inclusão dos gentios não era algo novo, mas sim um plano de Deus predito pelos profetas. (Atos 15:15)


III- A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM

1- O Espírito na Assembleia. 


O Espírito Santo: Um Protagonista na Vida da Igreja

  • Vemos uma verdade fundamental sobre a Igreja Primitiva: o Espírito Santo não era uma ideia abstrata, mas uma pessoa com participação real e ativa.

  • O texto de Atos 15:28 é particularmente revelador. Ao tomar uma decisão crucial, os líderes da igreja afirmam: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”. Essa frase mostra que a decisão não foi puramente humana, mas um processo de discernimento e obediência à direção divina. 

  • Essa mesma dinâmica aparece em Atos 5:32, onde os apóstolos se colocam como testemunhas de Cristo, e, em seguida, apontam o Espírito Santo como o grande co-testemunha. 


2- A orientação do Espírito na Assembleia. 


A Voz do Espírito: O Padrão da Igreja Primitiva

O texto de Atos 15.28 nos dá uma visão fascinante da Igreja Primitiva. 

  • Ela mostra que o Espírito Santo se manifestava na igreja de forma visível e prática, principalmente através de seus dons, como o da profecia. 

  • Foi essa atuação direta e sobrenatural do Espírito Santo, por meio de seus dons, que garantiu que as decisões da Igreja Primitiva fossem tomadas em harmonia com a vontade de Deus. Em outras palavras, o Espírito Santo não era um conceito abstrato; Ele era um guia ativo, se manifestando através de pessoas.

Esse era o padrão da Igreja Primitiva: uma comunidade onde o Espírito Santo se movia livremente e seus dons eram valorizados e utilizados para a edificação e direção do corpo de Cristo.

3- O parecer final da Assembleia. 


Liberdade na Graça vs. Limites da Comunhão

O texto de Atos 15.29 mostra a solução para um grande conflito na igreja primitiva: como conciliar a liberdade dos crentes gentios com as tradições dos crentes judeus?

  • A decisão da Assembleia de Jerusalém foi clara: a salvação é pela graça, não por obras ou rituais judaicos. Essa foi uma afirmação fundamental contra o legalismo. Os gentios não precisavam se submeter à lei judaica para serem salvos.

  • A igreja também reconheceu a importância da unidade e do convívio entre todos os crentes. Por isso, os gentios foram orientados a impor alguns limites à sua própria liberdade em nome da comunhão. A abstinência de “coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” não era uma exigência para a salvação, mas uma demonstração de respeito e amor pelos irmãos judeus.

Em resumo, a igreja de Atos 15 estabeleceu um princípio vital: a liberdade cristã não é uma licença para fazer o que se quer, mas um chamado a limitar essa liberdade pelo bem do outro, a fim de que a comunhão seja preservada e o evangelho, proclamado em harmonia.

CONCLUSÃO

A Igreja sempre será desafiada a enfrentar os problemas que surgem em seu meio. No capítulo 6 de Atos, vimos como ela resolveu um conflito de natureza social, provocado por reclamações de crentes helenistas (hebreus de fala grega). Aqui, o problema foi de natureza doutrinária: uma questão melindrosa que requeria muita habilidade por parte da liderança para ser resolvida. Graças ao parecer de uma liderança sábia e orientada pelo Espírito Santo, a Igreja tomou a decisão certa. A unidade da Igreja foi preservada e Deus foi glorificado.


Lição 12: O caráter missionário da igreja de Jerusalém | 3° Trimestre de 2025

 TEMA:  A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições


Objetivos da Lição:
I) Destacar o papel da dispersão cristã na expansão missionária da Igreja Primitiva;
II) Enfatizar a importância da contextualização da mensagem do Evangelho para diferentes contextos culturais, sem, contudo, perder sua essência;
III) Valorizar a prática do discipulado como base para o crescimento saudável e a manutenção da identidade da Igreja.


TEXTO ÁUREO

“E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.” (At 11.20).


VERDADE PRÁTICA

Faz parte da missão da Igreja a evangelização de povos não alcançados.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 11.19-30.
19 — E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus.
20 — E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
21 — E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.
22 — E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia,
23 — o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou e exortou a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor.
24 — Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.
25 — E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.
26 — E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
27 — Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.
28 — E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.
29 — E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judeia.
30 — O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo.


INTRODUÇÃO

Como o evangelho alcançou Antioquia, uma importante cidade da Síria dentro do Império Romano? Conhecer esse fato é relevante porque, pela primeira vez, cristãos de Jerusalém levam a mensagem da cruz aos gentios fora das fronteiras de Israel. Com o ingresso do Evangelho na cidade de Antioquia, a igreja dava seu primeiro salto na missão transcultural. Nesta lição, estudaremos sobre como o “Ide” de Jesus é levado a sério por um grupo de cristãos refugiados, vítimas da perseguição que sobreviera a Estêvão em Jerusalém. Esses crentes, mesmo sendo leigos, possuíam uma forte consciência missionária. E, quando perseguidos, não escondiam sua fé, mas a compartilhavam apontando sempre para a cruz de Cristo. Esse é um belo exemplo de fé cristã que deve, não somente nos inspirar, mas, sobretudo, nos levar a agir como eles.


I- UMA IGREJA COM CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA

1- O Evangelho para além da fronteira de Israel. 

A perseguição aos cristãos em Jerusalém não os destruiu, mas os impulsionou.


Vejamos os pontos chave:

 * A perseguição: Após a morte de Estêvão, os cristãos se dispersaram de Jerusalém.


 * A expansão: Essa dispersão fez com que eles levassem o Evangelho para novas áreas, como Fenícia, Chipre e Antioquia.


 * O paralelo: Assim como Filipe levou a Palavra a Samaria, muitos crentes anônimos levaram a mensagem Cristo para além das fronteiras de Israel.


A perseguição, em vez de ser um obstáculo, se tornou o catalisador para a expansão do cristianismo, cumprindo o plano de Deus para que o Evangelho alcançasse novos povos, até os confins da terra.


2- Cristãos dispersados, mas conscientes de sua missão.

A atitude missionária dos cristãos primitivos, resume nos seguintes pontos:


 * Não se calaram: Os cristãos, mesmo fugindo da perseguição, não esconderam sua fé, mas a anunciaram abertamente.


 * A missão em ação: Eles levaram a mensagem do Evangelho a novos lugares, como Fenícia, Chipre e Antioquia, demonstrando a importância de testemunhar onde quer que se esteja.


 * Foco na comissão: Agiram dessa forma por estarem cientes da Grande Comissão de Jesus, conforme.

Mateus 28.19.

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 


E do chamado para serem Suas testemunhas, conforme.

Atos 1.8

⁸ Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.

 

Isso mostra que a missão é parte central da vida cristã, não é uma opção.

Em essência, esses cristãos exemplificam uma igreja focada na missão, que, em vez de se intimidar, utiliza cada circunstância para proclamar a Palavra.


3- Cristãos leigos, mas capacitados pelo Espírito. 

O Poder dos Anônimos. O texto destaca um ponto central e inspirador: o papel dos cristãos "comuns" na expansão do Evangelho.

Não foram os apóstolos ou líderes de renome que fundaram a igreja em Antioquia, uma das cidades mais importantes do Império Romano.


 * Foram pessoas comuns, mas “Impactadas”: Lucas mostra que foram "alguns" cristãos anônimos e leigos que levaram a mensagem de Cristo para Antioquia.


 * Estavam sendo direcionados pela “Mão do Senhor”: O segredo de seu sucesso não estava em um título ou cargo, mas na capacitação e presença de Deus em suas vidas ("a mão do Senhor era com eles").


 * Davam prioridade a ação “Divina”: A história ressalta que o que realmente importa para Deus não é a posição, mas a disposição e a capacitação que Ele mesmo concede para a Sua obra.


II- UMA IGREJA COM VISÃO TRANSCULTURAL

1- A cultura grega (helênica). 

O Evangelho Alcança os Gentios em Antioquia: O Evangelho, que antes era pregado principalmente a judeus, começou a ser compartilhado com pessoas que não faziam parte da cultura judaica.

Vejamos os pontos-chave:

 * O público: Pela primeira vez, cristãos judeus pregaram a Jesus a "gregos", que eram gentios, ou seja, não-judeus.


 * O contexto: Esse público não tinha conhecimento da fé judaica, dos seus costumes ou do seu Deus.


 * A mudança: Essa pregação em Antioquia marca a transição da igreja, que deixa de ser um movimento majoritariamente judaico para se tornar uma fé global.


 * O cumprimento da missão: A expansão do evangelho para os gentios é o início do cumprimento da ordem de Jesus de levar o Evangelho a "toda criatura", ultrapassando as fronteiras culturais e geográficas.


A pregação aos gregos em Antioquia foi um passo fundamental para que o Evangelho se espalhasse pelo mundo, alcançando pessoas de todas as nações e culturas, assim como Jesus havia prometido.


Marcos 16:15

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. 


2- Contextualizando a mensagem. 

O texto de Atos 11.20 mostra como os primeiros cristãos mudaram sua abordagem para pregar o Evangelho a um novo público: os gentios.

Como os primeiros cristãos adaptaram a sua pregação?

  • Em vez de focar no Antigo Testamento ou em Jesus como o Messias (conceitos que não faziam sentido para os gentios), eles adaptaram a mensagem. 


  • Eles não mencionaram costumes judaicos, como a circuncisão, e se concentravam em um ponto que ressoava com a cultura da época: a necessidade de se voltar para o único e verdadeiro Senhor.


Essa abordagem eficaz permitiu que a mensagem cristã se espalhasse para diferentes culturas sem perder sua verdade central, mostrando uma adaptação inteligente e contextual da pregação.


III- UMA IGREJA QUE FORMA DISCÍPULOS

1- A base do discipulado. 

Um ponto crucial na história da igreja primitiva foi: o crescimento saudável, não baseado em ganhar novos convertidos apenas, mas em discipulá-los.


Vejamos os pontos chave:

 * A resposta de Jerusalém: Ao saberem da igreja de Antioquia, os apóstolos enviaram Barnabé, um homem conhecido por sua bondade e plenitude do Espírito Santo.


 * O papel de Barnabé: Ele confirmou a graça de Deus na comunidade e os encorajou. No entanto, ele percebeu que o crescimento exigia mais do que o entusiasmo inicial.


 * A busca por Saulo: Reconhecendo a necessidade de ensino profundo, Barnabé demonstrou humildade e sabedoria ao procurar Saulo, que mais tarde se tornaria o apóstolo Paulo, para ajudá-lo na missão.


 * Evangelização e Discipulado: A parceria entre Barnabé e Saulo por um ano em Antioquia resultou no ensino de "muita gente" (At 11.26). Isso mostra que a evangelização (ganhar almas) deve ser seguida pelo discipulado (ensinar e nutrir a fé).


A história de Barnabé e Saulo em Antioquia serve como um modelo bíblico: o crescimento em número é vital, mas o crescimento em maturidade espiritual é essencial para a saúde e a solidez da igreja. 

A evangelização lança a semente, e o discipulado a nutre para que ela floresça e não morra.


2- Denominados de “cristãos”. 

Vejamos a evolução da identidade dos seguidores de Jesus ao longo do livro de Atos.


 * Diversidade de nomes em Jerusalém: Inicialmente, os cristãos em Jerusalém eram conhecidos por termos que refletiam sua relação interna ou seu status, como "irmãos," "crentes," "discípulos" e "santos."


 * Identidade do "Caminho": O nome "O Caminho" se tornou uma forma popular de identificá-los, tanto dentro quanto fora da comunidade cristã. Este termo sugeria que eles seguiam uma nova rota ou modo de vida.


 * A transição em Antioquia: O novo nome, "cristãos", surge em Antioquia. Este termo, que significa "pessoas de Cristo," marca uma mudança importante. Ele ressalta a centralidade de Cristo na sua fé. O nome "cristão" os diferenciava dos judeus e, provavelmente, foi usado primeiro pelos não-crentes de forma pejorativa, mas a igreja o adotou como um título de honra.


À medida que o cristianismo se espalhava além de Jerusalém, era necessário um novo nome que comunicasse sua identidade de forma mais clara para o mundo, uma identidade que estivesse diretamente ligada a Jesus Cristo.


3- A identidade cristã. 

Ser cristão não é um rótulo, mas uma realidade de vida. O termo, possivelmente usado de forma pejorativa em Antioquia, acabou por descrever a dedicação e o entusiasmo dos seguidores de Jesus.


A Bíblia define um cristão como:

  • Alguém que crê em Jesus.

  • Alguém que se afasta do pecado.

  • Alguém que aceita a salvação como um presente da graça de Deus. 


É a fé, a vida e as atitudes que definem um verdadeiro seguidor de Cristo.


  • Menção do nome “cristão” Atos 26:28

E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!


  • Menção do nome “cristão” 1 Pedro 4:16

mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte.


CONCLUSÃO

Aprendemos como a providência de Deus faz com que o Evangelho chegue, por meio da Igreja, a povos ainda não alcançados. O que se destaca não é uma metodologia sofisticada de evangelismo, mas a graça de Deus, que capacita pessoas simples e anônimas a realizarem a sua obra. Quem deseja fazer, Deus capacita. Ninguém jamais terá tudo de que precisa para cumprir a obra de Deus; no entanto, se Deus tiver tudo de nós, Ele nos habilitará a realizá-la.


Lição 13: A assembleia de Jerusalém | 3° Trimestre de 2025-Prof. André Bernardo

  TEMA:  A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições Objetivos da Lição: I) ...