TEMA: A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições
Objetivos da Lição:
I) Mostrar o contexto e os motivos que levaram à controvérsia sobre a salvação dos gentios;
II) Relatar os argumentos apresentados pelos apóstolos, especialmente por Pedro e Tiago, sobre a inclusão dos gentios na Igreja;
III) Reconhecer a importância da direção do Espírito Santo na resolução dos conflitos e na preservação da unidade da Igreja.
TEXTO ÁUREO
“Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias.” (At 15.28).
VERDADE PRÁTICA
Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 15.22-32.
INTRODUÇÃO
Com esta lição, terminamos mais um trimestre de estudos sobre a igreja de Jerusalém. Aqui veremos como a igreja agiu para resolver seus conflitos de natureza doutrinária. Um grupo composto por fariseus convertidos à fé insistia que os gentios convertidos deveriam guardar a Lei, especialmente o rito da circuncisão. No entendimento dos apóstolos, se isso fosse exigido, a salvação deixaria de ser totalmente pela graça, o que era inaceitável. Devido à dimensão da questão e à sua importância para o futuro da Igreja, os líderes se reuniram em Jerusalém para buscar uma solução para o problema. Lucas deixa claro que a decisão tomada pela Igreja naquele momento foi guiada pelo Espírito Santo. É isso que veremos agora.
I- A QUESTÃO DOUTRINÁRIA
1- O relatório missionário.
A Questão da Salvação: Pela Graça ou pela Lei.
A origem do debate no Concílio de Jerusalém, registrado em Atos 15, foi a natureza da salvação. A discussão não começou em Jerusalém, mas na igreja de Antioquia, após o retorno de Paulo e Barnabé de sua primeira viagem missionária.
O Contexto em Antioquia
Quando Paulo e Barnabé retornaram, relataram o sucesso de sua missão entre os gentios, eles enfatizaram que a aceitação da fé por esses povos ocorreu unicamente pela graça de Deus.
O Conflito Teológico
Essa visão colidiu com a de alguns crentes de origem judaica, que insistiam que para os gentios serem salvos, eles precisavam ser circuncidados e seguir a Lei de Moisés. Eles argumentam que a salvação exigia a fé em Cristo mais a obediência à Lei.
2- O legalismo judaizante.
O trecho do livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 15, verso 1 e 2, descreve um dos momentos mais cruciais da história da igreja primitiva: o conflito entre a fé em Jesus e as tradições da Lei judaica.
A Origem do Problema.
Era um grupo de judaizantes, ou seja, judeus que haviam se convertido ao cristianismo, mas que acreditavam que os gentios (não-judeus) precisavam seguir as leis e rituais judaicos para serem salvos. Eles insistiam que a circuncisão era um requisito essencial.
Como a igreja de Jesus Cristo, que estava se expandindo para além das fronteiras judaicas, deveria lidar com a diversidade de culturas e crenças?
A solução veio de forma sábia e organizada.
Em vez de permitir que o conflito se aprofundasse, a igreja em Antioquia decidiu levar a questão para a liderança em Jerusalém,
Na igreja mãe, os apóstolos e presbíteros, homens de autoridade e sabedoria, se reuniram para discutir e decidir a questão.
Este evento, conhecido como o Concílio de Jerusalém, foi fundamental para definir o futuro da igreja e garantir que a salvação fosse compreendida como um dom gratuito de Deus, acessível a todos pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo! (Sem necessidade da circuncisão e a observância da Lei)
II- O DEBATE DOUTRINÁRIO
1- Uma questão crucial.
A Questão Gentílica em Atos 15.
No livro de Atos, a igreja primitiva enfrenta um desafio teológico crucial:
A inclusão dos gentios (não-judeus) na comunidade de fé.
Tema do debate.
Um grupo de judaizantes defende que os gentios convertidos precisam ser circuncidados e observar a Lei de Moisés para serem salvos.
Para eles, a salvação estava ligada à prática da Lei, e não apenas à fé em Jesus.
Resposta de Pedro e a Experiência em Cesareia
Pedro, no entanto, discorda dessa posição, argumenta que a salvação é pela graça, e não pelas obras da Lei.
Para sustentar seu ponto, ele usa como prova a sua experiência em Cesareia, relatada em Atos 10, onde o Espírito Santo foi derramado sobre a casa de Cornélio, um gentio, da mesma forma que havia sido derramado sobre os judeus no dia de Pentecostes.
Pedro afirma: "Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós." (Atos 15:8).
Essa experiência pentecostal dos gentios foi a evidência incontestável de que Deus os havia aceitado e os havia salvado sem a necessidade da “circuncisão ou da observância da Lei mosaica”.
2- A experiência do Pentecostes na fé dos gentios.
O derramamento do Espírito Santo sobre os gentios não foi apenas um evento espiritual, mas sim uma manifestação física e observável.
Isso foi comprovado anos antes, na casa de Cornélio, em Cesareia (Atos 10).
Assim como em Pentecostes (Atos 2), os gentios falaram em línguas, o que serviu como evidência clara da sua salvação.
Paulo também usou um argumento semelhante ao debater com os cristãos da Galácia (Gálatas 3.5).
Em resumo, tanto Pedro quanto Paulo destacam que a vinda do Espírito Santo foi a prova definitiva e visível da salvação de judeus e gentios, derrubando barreiras e unificando a igreja primitiva.
3- A fundamentação profética da fé gentílica.
A inclusão dos gentios (não-judeus) na igreja, destaca duas abordagens diferentes, mas complementares, usadas por líderes da época para justificar essa aceitação.
A passagem fala do apóstolo Pedro e Tiago, o irmão de Jesus.
Primeira abordagem (Pedro): Ele baseia sua defesa na experiência do Pentecostes. Para Pedro, o fato de o Espírito Santo ter sido derramado sobre os gentios, da mesma forma que foi sobre os judeus, era um sinal claro de que Deus os havia aceitado.
Segunda abordagem (Tiago): Ele recorre à profecia bíblica. Ao citar as Escrituras, Tiago demonstra que a inclusão dos gentios não era algo novo, mas sim um plano de Deus predito pelos profetas. (Atos 15:15)
III- A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM
1- O Espírito na Assembleia.
O Espírito Santo: Um Protagonista na Vida da Igreja
Vemos uma verdade fundamental sobre a Igreja Primitiva: o Espírito Santo não era uma ideia abstrata, mas uma pessoa com participação real e ativa.
O texto de Atos 15:28 é particularmente revelador. Ao tomar uma decisão crucial, os líderes da igreja afirmam: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”. Essa frase mostra que a decisão não foi puramente humana, mas um processo de discernimento e obediência à direção divina.
Essa mesma dinâmica aparece em Atos 5:32, onde os apóstolos se colocam como testemunhas de Cristo, e, em seguida, apontam o Espírito Santo como o grande co-testemunha.
2- A orientação do Espírito na Assembleia.
A Voz do Espírito: O Padrão da Igreja Primitiva
O texto de Atos 15.28 nos dá uma visão fascinante da Igreja Primitiva.
Ela mostra que o Espírito Santo se manifestava na igreja de forma visível e prática, principalmente através de seus dons, como o da profecia.
Foi essa atuação direta e sobrenatural do Espírito Santo, por meio de seus dons, que garantiu que as decisões da Igreja Primitiva fossem tomadas em harmonia com a vontade de Deus. Em outras palavras, o Espírito Santo não era um conceito abstrato; Ele era um guia ativo, se manifestando através de pessoas.
Esse era o padrão da Igreja Primitiva: uma comunidade onde o Espírito Santo se movia livremente e seus dons eram valorizados e utilizados para a edificação e direção do corpo de Cristo.
3- O parecer final da Assembleia.
Liberdade na Graça vs. Limites da Comunhão
O texto de Atos 15.29 mostra a solução para um grande conflito na igreja primitiva: como conciliar a liberdade dos crentes gentios com as tradições dos crentes judeus?
A decisão da Assembleia de Jerusalém foi clara: a salvação é pela graça, não por obras ou rituais judaicos. Essa foi uma afirmação fundamental contra o legalismo. Os gentios não precisavam se submeter à lei judaica para serem salvos.
A igreja também reconheceu a importância da unidade e do convívio entre todos os crentes. Por isso, os gentios foram orientados a impor alguns limites à sua própria liberdade em nome da comunhão. A abstinência de “coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” não era uma exigência para a salvação, mas uma demonstração de respeito e amor pelos irmãos judeus.
Em resumo, a igreja de Atos 15 estabeleceu um princípio vital: a liberdade cristã não é uma licença para fazer o que se quer, mas um chamado a limitar essa liberdade pelo bem do outro, a fim de que a comunhão seja preservada e o evangelho, proclamado em harmonia.
CONCLUSÃO
A Igreja sempre será desafiada a enfrentar os problemas que surgem em seu meio. No capítulo 6 de Atos, vimos como ela resolveu um conflito de natureza social, provocado por reclamações de crentes helenistas (hebreus de fala grega). Aqui, o problema foi de natureza doutrinária: uma questão melindrosa que requeria muita habilidade por parte da liderança para ser resolvida. Graças ao parecer de uma liderança sábia e orientada pelo Espírito Santo, a Igreja tomou a decisão certa. A unidade da Igreja foi preservada e Deus foi glorificado.